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Primavera em mim

Ahhh, essa primavera chuvosa em Petrópolis …

Da minha janela, vejo a natureza engravidar de cor. Um perfume que ficou na saudade de um quase amor.

Nós nunca falamos a mesma língua.

Não pertencíamos ao mesmo mundo.

Não frequentávamos a mesma tribo.

Mas ainda assim, e mesmo contra todas as evidências, o convidei pra minha vida.

Talvez eu sempre soubesse que nossas chances eram mínimas.

Decidi não acreditar no pouco delas.

Tudo em nós era diametralmente oposto.

Mas os opostos não se atraem? Nós provamos que sim.

E os opostos criam laços? Nós mostramos que não.

Foi bom, transgressor, bateu forte, fez pulsar …

Ele soube dos meus segredos, conheceu minhas feridas, experimentou dos meus conflitos, enfrentou os meus defeitos.

Eu soube muito pouco dele. Essa foi a sua escolha, não se desnudar.

Antes de me lamentar, penso: Algum dia valeu a pena?

Talvez eu não tenha sido feita para que me entendessem.

Não sou santa, mas também não sou má, sou mais.

Transbordei afeto, mas ele preferiu o raso.

Fui um monte de bons momentos, mas ele preferiu não se demorar.

Fui um oceano de afagos, mas ele preferiu a economia de toques.

Tentei através de carinho alfabetizar seus sentimentos.

Mas ele fechou os olhos e recusou aprendizado.

Nunca o culpei.

Pra ficar comigo é preciso coragem.

Bem que eu quis o intenso, mas sejamos realistas: eu era quente demais pro inverno dele. Ainda faz frio dentre de você, rapaz?

No meu hoje quando alguém quer ir embora eu abro a porta e um vinho ao mesmo tempo.

Tenho a certeza de que quem não recebe bem o meu amor não recebe bem quase nada.

Tem abraço que esquenta, mas não vale a frieza dos sentimentos não expostos.

E eu decidi que beber afeto de canudinho não é pra mim.

Coração adentro, vida afora.

Hoje, se a saudade arde, eu deixo queimar.

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